Após mudança, taxa do rotativo do cartão cai para 334%

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BRASÍLIA - O novo funcionamento do cheque especial foi anunciado um ano após a adoção de novas regras para o rotativo do cartão de crédito. Ao contrário da autorregulação anunciada no dia 10/04, a medida do cartão foi imposta pelo Banco Central. O efeito foi imediato: o juro médio do rotativo caiu de 490,3% em março do ano passado para 333,9% em fevereiro de 2018.
 
O efeito positivo, porém, gerou um efeito secundário negativo para o sistema financeiro. Clientes que persistem no rotativo são incentivados a migrar para o parcelamento do cartão. Nessa operação, o volume de empréstimos cresceu 50% em um ano e alcançou R$ 16,7 bilhões em fevereiro. Para esses clientes, ocorreu o contrário: o juro subiu e passou de 158,5% um mês antes do novo sistema e alcançou 174,3% em fevereiro.
 
Ao apresentar as novas regras do cheque especial ontem, o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, disse que cada banco terá liberdade para oferecer a linha de crédito mais barata aos clientes que persistirem no uso do cheque especial. “Será uma decisão de cada instituição. A obrigatoriedade é ser mais barato. Quanto mais barato será, vai depender de cada banco.”
 
Ofertas. A oferta das opções mais vantajosas para pagamento do cheque especial devem ocorrer em até 5 dias úteis após os bancos constatarem que o cliente se enquadra neste caso. O cliente não será obrigado a contratar uma das alternativas oferecidas pelos bancos. Nesses casos, os bancos terão que reiterar as ofertas aos clientes a cada 30 dias. Se o cliente optar por parcelar a dívida do cheque especial, os bancos terão a opção de manter ou não o limite de crédito dessa modalidade ao consumidor.
 
No cartão, ao contrário, quem não agir após comunicação do banco entra na lista de inadimplentes. Portugal disse que foram feitas pesquisas e consultas com consumidores, que reprovaram eventual operação compulsória. Fonte que acompanhou as negociações disse ao Estadão/Broadcast, porém, que bancos e o próprio Banco C optaram pela ação voluntária porque a obrigatoriedade do rotativo sofreu questionamentos legais até do Ministério Público.
 
 
 
O presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, disse que ainda é difícil avaliar qual será o efeito financeiro da medida para os bancos, já que tende a reduzir receita, mas poderá ajudar a reduzir o calote. “Sendo mais baixa, a receita para o banco poderá ser menor, mas as pessoas poderão administrar melhor seu saldo devedor”, explicou o executivo.
 
O presidente executivo do Bradesco, Octavio de Lazari, avalia que as regras “retiram fator de incerteza para o controle do orçamento das famílias”. “É uma forma de dar estabilidade às contas domésticas”, disse Lazari.
 
O Bradesco informou que já dispõe de produtos para refinanciar o cheque especial, a taxas mais convenientes, mas que a oferta de uma linha específica permitirá “aumento do interesse por esse tipo de alternativa”.
 
(O Estado de S. Paulo – Fernando Nakagawa)